Por: Amanda Lourenço
Bem, tecnicamente, só a Ana falou de música! E como eu lido diretamente com esse meio, quis postar algumas curiosidades a respeito de uma de minhas bandas favoritas e que marcaram época, o Queen.
Neste post, contarei a história de um dos álbuns mais famosos do quarteto, a obra A Night at the Opera (1975).
A Night at the Opera surgiu como um álbum inovador e com muita mistura de estilos, desde o rock, pop indo até o folk tradicional. Com Roger Taylor na bateria, John Deacon no baixo, Brian May na guitarra e Freddie Mercury nos vocais, o álbum veio para mostrar a capacidade do Queen de inovar e de criar coisas novas, influenciados principalmente por bandas que costumavam fazer isso em seus discos, como os Beatles, por exemplo, em sua segunda fase (citaria álbuns como o Rubber Soul (1965), Revolver (1966), Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967) e Abbey Road (1969)).
O Queen voltava do sucesso de seu álbum anterior Sheer Heart Attack, no qual o single Killer Queen foi um sucesso mundial. Porém, havia um problema: estavam sem um tostão, e queriam saber o porquê disso.
Death on Two Legs (Dedicated to...) (Freddie Mercury): Freddie compôs essa música como uma forma de mostrar sua insatisfação com o produtor da banda. Ele achava o produtor era o responsável pela crise financeira que a banda estava passando e que não estavam pagando suficientemente bem os integrantes do Queen.
A banda ficou surpresa com a agressividade de Freddie na música, mas era isso que o vocalista queria mostrar, sem se importar com possíveis críticas.
Então, o problema foi resolvido: John Reid foi contratado como novo produtor.
Nessa música percebe-se toda a raiva e indignação de Freddie com uma melodia forte e que mostrava o que ele realmente estava sentindo. (repare na ironia do título).
“You suck my blood like a leech
Você sugou meu sangue como uma sanguessuga
You break the law and you breach
Desrespeita a lei e escapole,
Screw my brain till it hurts
Esquenta minha cabeça até ela doer
You've taken all my money and you want more…”
Já levou todo o meu dinheiro e ainda quer mais!
Lazing On a Sunday Afternoon (Freddie Mercury): O Queen sempre gostou de fazer inovações, de arriscar, o que era (e ainda é) um pouco perigoso no mundo da música mas, de certo modo, eles não tinham medo.
Lazing On a Sunday Afternoon é uma música inovadora, diferente. Para essa música eles queriam experimentar novos sons, novos efeitos... A voz de Freddie sairia como se fosse um Megafone, muito usado antigamente. Porém isso exigia certo trabalho dentro do estúdio: Freddie cantava, o console enviava aos microfones que estavam dentro de uma lata e esse som era o gravado.
“I go out to work on Monday morning
Eu saio para trabalhar na 2ª feira de manhã.
Tuesday I go off to honeymoon
3ª feira eu parto em lua-de-mel.
I'll be back again before it's time for sunnydown
Estarei de volta antes de escurecer,
I'll be lazing on a Sunday afternoon”
Estarei vadiando numa tarde de domingo !
I’m in Love with My Car (Roger Taylor): Quando Taylor entregou uma gravação tosca dessa música feita por ele, chegaram a pensar que ele estava brincando, mas I’m in Love with My Car tinha um quê diferente, que lembrava muito o rock n’ roll antigo.
A música conta a história de um carro e de alguém apaixonado por ele. Posso dizer que Roger se usou como inspiração, pois é apaixonado por carros, ditos na música como “Amigos de quatro rodas”.
“Told my girl I’ll have to forget her
Disse a minha garota que terei que esquecê-la
Rather buy me a new carburetor
Prefiro comprar um novo carburador
So she made tracks sayin’
Então ela saiu dizendo
This is the end now
Que isso já era o fim
Cars don’t talk back
Carros não respondem de volta
They’re just four wheeled friends now”
Eles são apenas amigos de quatro rodas
You’re My Best Friend (John Deacon): Deacon sempre foi um homem muito calado e tímido. Todos o incentivavam a compor, principalmente Freddie. Nessa música, ele saiu do silêncio e escreveu esse simples pop com melodia agradável e uma bela letra, aonde a fonte de inspiração não se sabe ao certo, mas tudo indica que foi feita para a sua esposa.
“I've been with you such a long time
Eu estou com você há tanto tempo.
You're my sunshine and I want you to know
Você é o meu sol, e eu quero que você saiba
That my feelings are true
Que meus sentimentos são verdadeiros,
I really love you
Eu realmente te amo.
Oh you're my best friend”
Oh, você é a minha melhor amiga.
‘39 (Brain May): Naquela época ter uma música como single significaria que seria ouvida de uma forma mais extensa e, de certa forma, marcaria a vida das pessoas como uma espécie de trilha sonora. Uma das maiores tristezas de Brian foi '39 não ter se tornado um single.
A música conta a história de um homem que estava indo embora em uma nave espacial para conhecer outros mundos no espaço, e com o efeito do relativismo conseguia se mover na mesma velocidade que a luz (só para constar, Brian é físico formado). No meio da música há uma parte vocal que retrata a jornada no espaço.
O viajante retorna pensando que se passou apenas um ano, mas na verdade passaram-se 100.
(uma informação extra: No show do Queen + Paul Rodgers aqui no Rio, e que eu fui, a platéia cantou de uma forma inesperada, até para a própria banda, a música ‘39, como se fosse um single - Acho que o sonho de Brian se tornou realidade...)
“In the year of '39 came a ship in from the blue
No ano de trinta e nove veio um navio do azul
The volunteers came home that day
Os voluntários chegaram em casa naquele dia
And they bring good news of a world so newly born
E trouxeram boas notícias de um mundo recém nascido
Though their hearts so heavily weigh
Embora seus corações estivessem tão pesados
For the earth is old and grey, little darlin’, we'll away
Pois a terra está velha e cinza, querida, nós vamos embora
But my love this cannot be
Mas meu amor, isso não pode ser!
For so many years have gone though I'm older but a year
Oh tantos anos se passaram embora eu esteja mais velho que um ano
Your mother's eyes, from your eyes, cry to me”
Os olhos de suas mães choram por mim
Sweet Lady (Brian May): Sweet Lady foi feita em compasso ¾, muito utilizado em valsas e pouco comum em rock n' roll.
Nessa música, Brian quis falar sobre os relacionamentos que viveu (provavelmente, não foram boas experiências) e também sobre o relacionamentos de pessoas ao seu redor.
“You call me up and treat me like a dog
Você me telefona e me trata feito cachorro
You call me up and tear me up inside
Você me telefona e me trucida por dentro
You've got me on a lead
Você me tem na coleira
Ooh you bring me down you shout around
Ooh você me arrasa, você grita comigo
You don't believe that I'm alone
Você não me deixa sossegado
Ooh you don't believe me”
Ooh você não acredita em mim
Seaside Rendezvous (Freddie Mercury): Uma das características de Freddie era a teatralidade, a capacidade de mostrar emoções...
Em uma certa tarde de domingo, Freddie e Roger estavam “brincando” na casa do primeiro: Taylor batia os dedos em uma mesa de metal e Mercury fazia os sopros, daí nasceu a Seaside Rendezvous, que mistura uma teatralidade com algo bastante criativo.
“Seaside whenever you stroll along with me
A beira mar não importa quando passeias comigo
I'm merely contemplating what you feel inside
Estou meramente contemplando o que você sente por dentro
Meanwhile I ask you to be my Clementine
Enquanto isso eu lhe peço que sejas minha Clementina
You say you will if you could but you can't
Você diz que irá se puder, mas você não pode
I love you madly
Eu te amo loucamente
Let my imagination run away with you gladly
Deixo minha imaginação fugir com você alegremente
A brand new angle highly commendable
Um novo ponto de vista altamente recomendável
Seaside rendezvous”
Encontro à beira-mar
The Prophet’s Song (Brian May): Certa noite, Brian teve um sonho estranho sobre um profeta e com uma melodia que ficou em sua cabeça: “Oh, people of the earth!”.
No início a música iria se chamar People of the Earth, mas tarde o nome foi mudado.
A música começa com um sopro, que na verdade, se trata do ar-condicionado do estúdio com um microfone preso. Mas ou menos no meio da música até o final há um efeito de atraso (delay), em que a voz e os instrumentos parecem ser repetidos como um eco, o que dá maior grandeza à música.
Pode-se notar também uma grande influência da música japonesa.
“I dreamed I saw on a moonlit stair
Eu sonhei que vi numa escada enluarada
Spreading his hand to the multitude there
Esticando sua mão para a multidão ali presente
A man who cried for a love gone stale
Um homem que clamava por um amor perdido
And ice cold hearts of charity bare
Um coração frio desprovido de caridade
I watched as fear took the old man's gaze
Eu observava enquanto medo tomava o olhar do ancião
Hopes of the young in troubled graves
A esperança dos jovens em túmulos desassossegados
'I see no day' I heard him say
Não vejo nenhum dia' eu o ouvi dizer
So grey is the face of every mortal”
Tão cinzento é o rosto de cada mortal
Love of My Live (Freddie Mercury): Freddie era um homem muito romântico e gostava de escrever sobre coisas que aconteciam com ele. Um desses exemplos é Love of My Live.
Essa música foi escrita para a ex-esposa de Mercury, Mary Austin a quem ele amou muito e que se tornou uma de suas melhores amigas até a morte. Com uma harmonia e vocais maravilhosos e com uma bela letra, dá para se ver o tamanho do amor e que, realmente, ela era o amor de sua vida.
Curiosidade: Nos shows, Brian canta essa música para Freddie, como forma de trazê-lo de volta para ele e para o público. (No show aqui no Rio (2008), a platéia repetiu o feito do Rock in Rio 1985, trazendo a banda às lágrimas. Eu não me contive e comecei a chorar também!).
“When I grow older
Quando eu envelhecer,
I will be there at your side to remind you
Eu estarei ao seu lado para lembrar-lhe
How I still love you I still love you”
Como eu ainda te amo, eu ainda te amo
Good Company (Brian May): Nessa música foi utilizado um Ukelele-Banjo, pertencente ao pai de May (inspiração para a música).
Foi no Ukelele-Banjo que Brian aprendeu os primeiros acordes, onde adaptou para a guitarra.
Essa música teve grande influência das bandas de Jazz. Para imitar os efeitos de trombones, trompetes e outros instrumentos foram feitas várias gravações separadas de guitarra, aliás essa é uma das técnicas que viraram marca registrada de May.
“Take good care of what you've got
Cuide bem daquilo que tens
My father said to me
Meu pai sempre me dizia
As he puffed his pipe and baby B
Enquanto fumava seu cachimbo e o bebê B
He dandled on his knee
Ele o embalava no colo
Don't fool with fools who'll turn away
Não vá se meter com os tolos que irão se afastar de ti
Keep all good company oohoo oohoo
Mantenha as boas companhias
Take care of those you call your own and keep good company”
Cuide bem daqueles que você chama de seus e mantenha as boas companhias
Bohemian Rhapsody (Freddie Mercury): Antigamente (indo até os dias de hoje), um single não podia passar de três minutos, se passasse, poderia parecer que o DJ tinha ido ao banheiro e esquecido de voltar. Então, arriscar pôr uma música como Bohemian Rhapsody era um sinal de ousadia, e ousadia era a palavra que traduzia essa obra prima composta por Mercury.
Acho que essa faixa é o ponto alto do disco: essa mistura de ritmos, a letra forte e a emoção... Perfeita!!!
A interpretação dessa música pela letra, não é uma coisa muito fácil de fazer, pois no final os sentidos não se unem, mas após a morte de Freddie dá para fazer uma interpretação: a música poderia contar a história de como era ser um gay, que queria ser tratado de forma igual e que quer ser livre indo para qualquer lugar em que o vento sopre. Claro, que talvez essa não seja a real inspiração. A única forma de saber seria perguntando ao próprio Freddie, que infelizmente não está mais entre nós.
“Nothing really matters,
Nada realmente importa
Anyone can see,
Qualquer um pode ver
Nothing really matters,
Nada realmente importa
Nothing really matters to me.
Nada realmente importa pra mim
Any way the wind blows.”
E de qualquer forma o vento sopra...
God Save the Queen (Brain May): O Hino Nacional Britânico serviu como uma guia para essa música instrumental e que foi gravada para ser o adeus do disco e que se tornou o adeus dos shows.
P.S.: A HISTÓRIA DO NOME DO ÁLBUM:
Sempre achei que A Night at the Opera tinha esse nome por causa de Bohemian Rhapsody, porque tem um quê operística e tal, e não estava totalmente errada, mas tem mais história.
O nome vem de um filme dos Irmãos Marx, que foi assistido pelos integrantes do conjunto. Na hora que o viram, Roger Taylor e Freddie Mercury se entreolharam e pareciam pensar a mesma coisa: “-That’s a good name!”, pois estavam pensando em um nome que lembrasse algo lírico, como feito em Bohemian, e ficou esse.
Curiosidade: Alguém marcou um almoço com Groucho Marx e foram Brian, Roger e Freddie (John ficou com medo). Lá, durante o almoço, apareceu uma pianista que começou a tocar algumas músicas. De repente, Groucho, parou e disse para eles tocarem, já que eram músicos.
Eles disseram que não poderiam, pois não haviam trazido nenhum instrumento. Aí, surge uma guitarra espanhola antiga, e eles tocaram a ‘39 para um dos Irmãos Marx.
Até a próxima! E como adeus, GOD SAVE THE QUEEN!